2007-21

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Monumentalidade como coletividade | Monumentality as Collectivity, 2018
[O MASP de Lina]

créditos completos | full credits

O prédio de meia-idade, meio século. Nem faz tanto tempo assim. O desmanche do antigo belvedere, ainda vivo na lembrança das crianças de ontem, e o levante da caixa flutuante. O índice e o ícone. O monumento carrega a história que parte do povo rapidamente esqueceu. A escada em L na arquitetura moderna, com vocação a púlpito. Dela se vê o vão magistral, intervalo pulsante entre avenida e infinitos edifícios, onde repousa a pedra. O fluxo, as pessoas, os burburinhos e a pedra. Um monolito insólito, improvável, silhueta gorda, testemunha vertical de um sem fim de coisas. Com pedrinhas ao redor que parecem presentes de natal. O vão palco, cenário, plateia das frequências ritmadas que fazem da laje um lençol. Estrutura dinâmica que abriga esquerdas e direitas.
Dos registros de sua construção, homens, sempre eles, devidamente identificados, até aqueles que mal se veem as canelas. Já a mulher de corpo inteiro no canteiro da obra, anônima. A exceção é a Dona Lina, que mesmo assim se chamava e era chamada de “o arquiteto”.
O belvedere é o vão. 50 anos depois. Muitas pessoas que não participaram dos fatos não se sentem parte da história. Dentro e fora do museu, personagens e ameaças se repetem, ou quem sabe nunca saíram daqui. Mais um golpe, velho discurso de ódio. O prédio de colunas vermelhas deve ser chamado de comunista outra vez. A pedra amanheceu pixada com uma foice e um martelo. Ela e as paredes daqui certamente se lembram do que parte do povo rapidamente se esqueceu. Povo que desce na estação Trianon sem notar que ali é o lugar para onde a Dona Lina queria que o povo fosse.
Arquitetura para abrigar e fabricar história. Corpo presente no espaço da cidade. Monumento quer dizer advertência! Monumentalidade como coletividade, disse o engenheiro Suzuki após Lina Bo Bardi. Corpo vibrante de concreto, vidro, obras de arte e gente, muita gente.
A pedra repousa na palma da mão da arquiteta. Tal fotografia indica a porta do banheiro das funcionárias e vigia o corredor estreito. A intensidade da mirada da autora daquele lugar é uma presença penetrante que transcende tempos e materialidades. Ainda bem, porque o anacronismo é grande. 50 anos que vão e vêm numa velocidade estrondosa.

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Fui convidada pela curadoria do MASP a realizar uma série fotográfica em homenagem aos 50 anos do edifício de Lina Bo Bardi na Avenida Paulista.

"Monumentalidade como Coletividade" nos reafirma que o que faz do MASP um ícone não é apenas a sua edificação, mas o seu corpo ativo na sociedade, composto pelas pessoas que o frequentam, mas especialmente por aquelas que o habitam e que atualizam a sua história.

A princípio, ainda que se tratando de um projeto editorial, a ênfase do trabalho estava no seu ritual, no caráter performático. Convidei a todes que trabalhavam no museu para participarem voluntariamente do meu projeto. Gostaria de retratá-les em lugares de relevância pessoal e/ou profissional e, assim, conhecer o MASP a partir de suas histórias. Em vez de câmera digital, foi escolhida uma analógica de médio formato. A ideia era que a imagem aparecesse apenas no final, após a revelação dos negativos, sem que as pessoas se preocupassem com o resultado superficial de seus corpos vistos de relance numa pequena tela LCD, para que se entregassem àquela experiência por tudo o que ela significava, muito além da imagem.

Usando um microfone para gravação binaural em sessão individual no auditório do MASP, cada participante contou a sua história e o que esperavam do resultado de seus retratos. Neste tipo de experiência, quem fala se escuta em tempo real através de fones inseridos nas orelhas, proporcionando uma audição totalmente atípica, quase introspectiva, como se falasse para dentro e em voz alta. Para quem escuta o áudio posteriormente usando fones, é como se a experiência daquele som ambiente fosse reproduzido de maneira análoga à quem o gravou.

Colaboraram no total 139 funcionáries, mas apenas 42 gravaram o áudio. Alguns perderam a data e pouquíssimes foram taxatives em não participar. Convencionalmente, algumas fotografias não deram certo, sejam por rolos queimados, vencidos, arranhados ou mal fotometrados. Mas o que seria hoje uma imagem que dá certo? O trabalho não é sobre a imagem em si, mas sobre o trajeto para se chegar até ela e depois tudo o que daquele trajeto ela contém. As relações com as pessoas e os lugares extrapolam o quadro e perduram.

Este projeto é uma homenagem aos 50 anos do edifício da Dona Lina e um salve a todes que fazem parte dessa história, eu e minha família incluídes.

Agradeço ao MASP pelo convite, apoio e acolhimento, permitindo que eu também faça parte de sua história; a 139 trabalhadores que participaram voluntariamente deste projeto; a Leonardo Antiqueira, Marcello Israel, Paulo César Mafra de Matos e Oswaldo Lara, ainda que não impressos em papel; a Marcelo Suzuki, Marina Grinover, Nair Benedicto e Roberto Rochlitz pela generosidade; a Natália Tonda pelos filmes extras; a Ímã, Gibo e Bete Savioli pelos serviços laboratoriais; a Júlia Vaz pela hospedagem em São Paulo; a Nico Espinoza pelas gravações em áudio e pela parceria e amor 24/7; e a Pilar, nossa parceirinha e assistente.
Agradecemos à Dona Lina e ao Professor Bardi.

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The middle-aged building, half-century. Not that long ago. The dismantling of the old belvedere, still alive in the memory of the children of yesterday, and the raising of the floating box. The index and the icon. The monument carries the history that part of the people quickly forgot. The L staircase in modern architecture, with pulpit vocation. From it, we can see the masterly span, a pulsating interval between avenue and infinite buildings, where the stone rests. The flow, the people, the buzz, and the stone. An unusual monolith, improbable, fat silhouette, a vertical witness to an endless number of things. With little stones around that look like Christmas presents. The vain stage, scenery, audience of the rhythmic frequencies that make the slab a sheet. Dynamic structure that shelters lefts and rights.
From the registers of its construction, men, always, duly identified, to those who barely see the shins. The full-body woman on the construction site, anonymous. The exception is Dona Lina, who even so was called "the architect".
The belvedere is the free span. 50 years later. Many people who did not participate in the events do not feel part of the story. Inside and outside the museum, characters and threats are repeated, or who knows never left here. One more blow, old hate speech. The red column building must be called communist again. The stone dawned spraypainted with a scythe and a hammer. It and the walls here certainly remember what part of the people quickly forgot. People coming down at Trianon station without noticing that this is the place where Dona Lina wanted the people to go.
Architecture to house and fabricate history. Body present in the city space. Monument means warning! Monumentality as a collective, said engineer Suzuki after Lina Bo Bardi. Vibrant body of concrete, glass, works of art and people, many people.
The stone rests in the palm of the architect's hand. Such a photograph indicates the bathroom door of the employees and watches the narrow corridor. The intensity of the author's gaze of that place is a penetrating presence that transcends time and materialities. Good, because the anachronism is great. 50 years that come and go at a thunderous speed.

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I was invited by the MASP curatorship to make a photographic series in honor of the 50th anniversary of Lina Bo Bardi's building on Avenida Paulista.

"Monumentality as Collectivity" reassures us that what makes MASP an icon is not only the building, but its active body in society, composed by the people who frequent it, but especially by those who inhabit it and update its history.

At first, even though it was an editorial project, the emphasis of the work was on its ritual, its performative character. I invited everyone who worked at the museum to voluntarily participate in my project. I wanted to portray them in places of personal and/or professional relevance, and thus get to know the MASP through their stories. Instead of a digital camera, a medium format analog one was chosen. The idea was that the image would appear only at the end, after the negatives were developed, without people worrying about the superficial result of their bodies seen at a glance on a small LCD screen, so that they could surrender to that experience for everything it meant, far beyond the image.

Using a microphone for binaural recording in an individual session in the MASP auditorium, each participant told their story and what they expected from the result of their portraits. In this kind of experience, the speaker listens in real-time through headphones inserted in the ears, providing a totally atypical hearing, almost introspective, as if speaking inside and out loud. For those who listen to the audio later wearing headphones, it is as if the experience of that ambient sound is reproduced in an analogous way to the person who recorded it.

A total of 139 employees collaborated, but only 42 recorded the audio. Some missed the date and very few were taxatives in not participating. Conventionally, some photographs did not work out, either because of burnt, expired, scratched, or badly photometrized rolls. But what is an image that works today? The work is not about the image itself, but about the path to get to it and then everything that this path contains. The relationships with people and places extrapolate the picture and endure.

This project is a tribute to the 50 years of Dona Lina's building and a salute to all those who are part of this history, my family and myself included.

I thank MASP for the invitation, support, and welcome, allowing me to also be part of their history; 139 workers who voluntarily participated in this project; Leonardo Antiqueira, Marcello Israel, Paulo César Mafra de Matos, and Oswaldo Lara, although not printed on paper; Marcelo Suzuki, Marina Grinover, Nair Benedicto and Roberto Rochlitz for their generosity; Natália Tonda for the extra films; Ímã, Gibo and Bete Savioli for the laboratory services; Júlia Vaz for the lodging in São Paulo; Nico Espinoza for the audio recordings and the 24/7 partnership and love; and Pilar, our partner, and assistant.

We thank Dona Lina and Professor Bardi.

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Monumentalidade como Coletividade, 2018-2021

Fotografia: Luiza Baldan
Captação de áudio e composição: Nico Espinoza
Montagem: Analu Cunha